o avesso
[Da correspondência pessoal de Charity Schuck para Bernard Ossiam-Smithee:]
Dear,
(Das palavras da doce Carolina roubo estas linhas)
Sempre chega a hora da solidão.
Sempre chega a hora de arrumar o armário. Sempre chega a hora do poeta a plêiade. Sempre chega a hora em que o camelo tem sede.
O tempo passa e engraxa a gastura do sapato; na pressa a gente não nota que a lua muda de formato. Pessoas passam por mim pra pegar o metrô. Confundo a vida ser um longa metragem: o diretor segue o seu destino de cortar as cenas, e o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos, e já não vai ao cinema.
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você.
Penso quando você partiu assim, sem olhar pra trás, como um navio que vai ao longe e já nem se lembra do cais. Os carros na minha frente vão indo e nunca sei pra onde - será que é lá que você se esconde? Tudo passa e eu ainda ando pensando em você.
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você.
A idade aponta na falha dos cabelos. Outro mês aponta na folha do calendário... As senhora vão trocando o vestuário; as meninas viram a página do diário.
O tempo faz tudo valer a pena; e nem o erro é desperdício.
Tudo cresce e o início deixa de ser início, e vai chegando ao meio, e aí começo a pensar que nada tem fim.
Que nada tem fim.
Cheerfully,
Charity
Dear,
(Das palavras da doce Carolina roubo estas linhas)
Sempre chega a hora da solidão.
Sempre chega a hora de arrumar o armário. Sempre chega a hora do poeta a plêiade. Sempre chega a hora em que o camelo tem sede.
O tempo passa e engraxa a gastura do sapato; na pressa a gente não nota que a lua muda de formato. Pessoas passam por mim pra pegar o metrô. Confundo a vida ser um longa metragem: o diretor segue o seu destino de cortar as cenas, e o velho vai ficando fraco esvaziando os frascos, e já não vai ao cinema.
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você.
Penso quando você partiu assim, sem olhar pra trás, como um navio que vai ao longe e já nem se lembra do cais. Os carros na minha frente vão indo e nunca sei pra onde - será que é lá que você se esconde? Tudo passa e eu ainda ando pensando em você.
Tudo passa e eu ainda ando pensando em você.
A idade aponta na falha dos cabelos. Outro mês aponta na folha do calendário... As senhora vão trocando o vestuário; as meninas viram a página do diário.
O tempo faz tudo valer a pena; e nem o erro é desperdício.
Tudo cresce e o início deixa de ser início, e vai chegando ao meio, e aí começo a pensar que nada tem fim.
Que nada tem fim.
Cheerfully,
Charity
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