Wednesday, September 21, 2005

yet, twentysomething

[Da correspondência pessoal de Bernard Ossiam-Smithee para Charity Schuck:]

Sweet Charity,

"It's not hard to fall
And I don't wanna lose
It's not hard to grow
When you know that you just don't know"
(Damien Rice, 'Cannoball')

Cheers,

B.

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Saturday, September 17, 2005

twentysomething

[Da correspondência pessoal de Charity Schuck para Bernard Ossiam-Smithee:]

Dear,

Sinto como se eu fosse a pessoa ruim que sempre critiquei.

É tarde de sábado e eu estou aqui sentada, ouvindo Damien Rice com uma faca no peito e tentando por a vida em ordem, ainda que todo o trabalho resolva apenas uma parcela ínfima de minhas pendências. Trovattore se aproxima, certamente atraído pelo cheiro do óleo, embora minha necessidade de carinho nesse momento desejasse que fosse apenas mais uma das tradicionais manifestações de apreço caninas.

Pego o celular e penso em mandar uma mensagem, e por um instante tudo parece muito vazio, muito desproposital. Parece que minha vida se preencheu com recursos e confortos que esvaziaram todo o resto, deixando apenas um gosto neutro. É inevitável pensar em momentos passados, trechos em que eu me sentia mais viva, ou em pequenos momentos de prazer verdadeiro, como a sensação de esticar as costas sobre o colchao macio e o edredon aconchegante depois de alguma tarefa exígua, e não ter que me concentrar em nada que não seja o ar fresco vindo do largo ventilador.

E me sinto insatisfeita com pequenas inocuidades. Escrevo como uma velha; não há nessas linhas sombra sequer da vividez melancólica de outras épocas. Tudo o que sinto é uma prostração profunda e implacável se instalando no fundo da alma, onde quer que isso seja, e se alastrando devagar, como um cancer. [anos atrás eu não faria esse tipo de analogia, ou sequer mencionaria um cancer, mas não sei se vejo nisso um sinal dos tempos ou simples apofenia]

Uma rápida substituição e passo para um cd daquilo que eu costumo chamar de 'woody jazz' - ou seja, jazz típico de filmes do woody allen: john pizzarelli, steve tyrrel, diana krall, etc. A sessão abre com jamie cullum cantando 'twentysomething', e é claro que isso não ajuda muito, porque me lembra que estou vivendo a faceta ruim de meu anacronismo, passando por todos os conflitos twentysomething aos 35 anos, assim como pulei etapas aos 21 quando agia em prol de valores de alguém com... 35.

Penso que o que eu gostaria mesmo agora seria uma vida nova - era estar realmente twentysomething e poder começar tantos projetos que hoje tenho na cabeça. A gente não dá valor às coisas no tempo certo. E agora não dá mais para ser assim, agora é vida real, aquela vida real que eu sempre senti não existir, que parecia que era algo alheio à mim, para o qual eu ficava olhando à distância.

E com isso oficializo minha primeira derrota concreta contra o tempo: o viver uma frustração sem cura, uma angústia sem solução, diferente de um plano aparentemente sem chances mas projetado no futuro, onde sempre ainda sobra a esperança nos acréscimos ao final do segundo tempo. Não. Aqui é diferente, porque não importa o quanto eu deseje, eu não voltarei a ser twentysomething. Meu cartucho dos 20's foi gasto. O jogo agora é outro, as regras são outras, na verdade, e é inútil tentar manter minhas prioridades como se eu já não tivesse passado por tudo isso, tendo aproveitado direito ou não.

Ironicamente esse real todo cai sobre mim na fase menos interessante: a do fim das coisas. As my perception of reality growns and become more tangible, only the sense of death and end survives my hallucitations.

Cheerfully,

Charity

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Thursday, September 01, 2005

rescue

[Da correspondência pessoal de Bernard Ossiam-Smithee para Charity Schuck:]

Sweet Charity

Há muitas histórias para serem contadas, e minha ânsia quase tolkienita de contar tudo na completude necessária me impeliu a pensar de mais e agir de menos.

Provavelmente é apenas mais racionalização, como os terapeuta adoraram dizer... A diferença é que essa é possivelmente a racionalização mais honesta que já fiz, e hoje eu tirei o dia para ser honesto, na impossibilidade de ser surpreendente como acho que eu era antes.

Não pela beleza crua da honestidade nem por brios mais altruístas, mas por pura necessidade. escrever honestamente hoje foi uma questão imperativa que envolveu basicamente uma tentativa de salvar a vida que mais depende de minha honestidade nesse momento: a minha própria.

Cheers,

B.

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